terça-feira, 21 de junho de 2016

Vinte e Um de Junho.

Volto ao pinchazo de domingo. 
Quando ele aconteceu levava eu na mala um saco de compras do Continente. Desapareceu-me o fiambre da perna extra. 

PS.: e será "fiambre da perna... extra" ou "fiambre... da perna extra"? A vida, uma eterna interrogação... Ontem, para reparar a perda, fui obrigado a comprar finíssimas.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Vinte de Junho.



Quando os dias não são bons pode uma palavra dar-lhes salvação? Ontem tive um furo à hora de almoço. Não um furo qualquer mas um daqueles que logo te esvazia o pneumático todo. Nunca mudara um pneu neste carro. Pareceu-me um mistério de difícil solução. A roda suplente, uma roda com cariótipo programado para apenas devolver ao carro a autonomia qb para chegar a uma garagem, repousava sob coisas antigas como cadeiras para bebé, garrafas de Monte Velho, um para-vento, lixo diverso. Sobre a jante estacionei à porta de uma pizzaria cara e onde o dono só fala italiano para os estrangeiros que nós não éramos. Comi mal. Mas o pior estava para vir.

Como já disse, a jante do Seat parecia-me não ser acessível aos parcos instrumentos que o losango dentro da roda suplente forneciam. Mandei a minha filha estudar para casa e veio ter comigo um obeso rebocador, nado e criado na freguesia de Paranhos da cidade do Porto. Afinal a intransponível jante abriu-se nas mãos do “meu amigo” com um pequeno ganchinho que revelava os grossos pernos habituais. Eu bem tinha referido ao telefone – em vários telefonemas que tinha feito – que as cabeças que recobriam os pernos tinham no meio um fino orifício sextavado… Perguntaram-me por telefone: “O que é isso, sextavado?” Indignei-me. Sextavadas ao não as cabeças que recobriam os pernos eram de fácil remoção. E o obeso condutor do reboque levou-me sessenta mocas pela aula. E segui para a Norauto.

A Norauto fica perto do Marshopping. E caminhar faz-me bem. A pé a Norauto não fica assim tão perto do Marshopping. O Marshopping tem uma Fnac e uma Bertrand. A Fnac tinha quase toda a discografia da P.J.Harvey em promoção. E o quarto volume daquela saga da Elena Ferrante. A Bertrand não tinha nem uma coisa nem outra. As obras no hall do Marshopping são angustiantes. Saí para a rua. Fazia uma brisa agradável e a Norauto telefonou-me: pneu insalvável, “Goodyear ou Michelin?”. “Goodyear.”, respondi. E fui lanchar ao Leroy Merlin. Há coisas tristes na vida e umas estarão acima e outras abaixo de lanchar no Leroy Merlin. Mas confirma-se: é triste lanchar no Leroy Merlin. Porém a multidão era menor e não me restava alternativa.

Recebi o carro com rodados novos pelas 18h30m. Fui recuperar a companhia da minha filha, jantei em São João da Madeira e – lá – vi o filme “Capitão América – Guerra Civil”. Vimos nós e mais ninguém, pois mais ninguém havia na sala. O filme é basicamente um filme de porrada fina, no sentido em que os filmes do Bud Spencer e do Terence Hill eram de porrada grossa. Tem bons actores e fala mal da ONU, o que está certo. É de uma banalidade atroz elogiar os efeitos especiais.

Antes do filme – e porque o alarme de pressão dos pneus tinha acendido na viagem, o que sempre acontece depois de qualquer revisão ou mexida no carro – fui rever a pressão dos pneus na Repsol ali ao lado. Pressão cujos valores desejados eu desconhecia. Comecei a aferir para a pressão “que estava”. A Cata saiu “para ver”. E disse-me, nonchalante, “Acho que as pressões “é” 2.4 à frente e 2.2 atrás. Vi no tampão da gasolina”. Isto é o que eu chamo trabalho de equipa. Tinha portanto estado a esvaziar os pneus, voltei a enchê-los, reset, ok.

Ao sair do filme esperavam-nos um segurança, o rapaz da porta do cinema, um rapaz da limpeza. Na viagem de volta como na anterior, qualquer solavanco fazia-me temer o pior, um segundo furo, sei lá. Nunca tinha reparado como as nossas auto-estradas têm um piso tão irregular, eu diria traiçoeiro.

Deitado na minha cama, uma e meia da manhã, pensei “Não há bem que sempre dure, mas também não há mal que não acabe! Que puta de dia mais sextavado!” E adormeci.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

domingo, 12 de junho de 2016

Catorze de Junho.

As Divisórias Continentais separam as várias bacias hidrográficas no que diz respeito aos mares para onde correm os rios.
Na Europa estas Divisórias dividem a Europa em duas - com um pequeno rearranjo que o faço eu: o Norte e o Leste da Europa, arroupado pelos rios Reno, Elba, Danúbio, Dniepre e Don, drena para os mares do Norte, Báltico e Negro; que os dois primeiros sejam Atlântico e o último Mediterrâneo não conta para este conto. Para baixo rios como o Ebro, o Ródano e o Pó desenham o Sul Europeu correndo para o Mediterrâneo mesmo. O Oeste drena para o Atlântico "proper": a maioria dos rios franceses e dos rios ibéricos. Eu associaria este Atlântico aberto e glorioso ao Mediterâneo antigo. O Reino Unido aqui não conta para esta equação, nem sendo preciso referendar a coisa. O Volga corre para o Cáspio e já é portanto um "rio sem mar". Um rio Europeu a ensaiar a Ásia logo ali.
Assim vista a Europa divide-se num Sudoeste e num Nordeste. Falta saber se assim é no coração e na mente dos povos.
É dito que o saber não ocupa lugar; mas leva tempo a adquirir. Numa segunda leitura do longo e interessante livro de Claudio Magris que dá pelo nome "Danúbio", aprendo que as nascentes do Danúbio, na Floresta Negra, sofrem à frente, numa zona de karst, um desvio importante do seu caudal para o jovem Reno que corre ali perto. Eis o Norte a alimentar-se das águas do Leste. Assim a Europa?