quarta-feira, 24 de agosto de 2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Vinte e Dois de Agosto.

Corria o ano 94 e tu começavas. Eu tinha começado um ano antes. Sabes, o verbo ajudar é um pouco incerto e aqueles tempos foram excessivos, a factura de um cóccix alheio um pretexto. Sim, a minha preocupação, já então, era com os doentes. Homens, mulheres, então ia a todas. Passaram 22 anos, não terás esquecido.
Viste-me demasiadas coisas?

sábado, 13 de agosto de 2016

Treze de Agosto.

"Desculpa, os telemóveis da Optimus é na NOS?" 
Quem assim me interpelava estava à minha frente numa caixa multibanco e era tarde. "Sim", respondi. Era um senhor de idade, casaco azul e calça clara de verão, o escasso cabelo bem penteado para trás, a figura delgada, o gesto a um tempo hesitante mas ainda decidido. "Desculpe, mas CONTINUAR é em baixo." - disse. E fui para mim corrigindo que o multibanco era efectivamente confuso, ora dos lados ora no teclado, acima e abaixo, não era fácil, "Agora à direita em cima, não quer com NIF, pois, não?" Eu tinha pressa e cirurgicamente ajudava nas hesitações, desculpando-me por intrometer. "Peço desculpa, o meu telemóvel não tem desdes problemas, é... enquanto o da minha esposa tem que se carregar de três em três ou de quatro em quatro meses!" Ele carregara doze euros e meio precisamente. Um senhor com uma elegância como eu nunca tive, como eu nunca terei, hesitando mas decidindo. Tratando das coisas. Agradeceu mais uma vez, abandonou a caixa multibanco e seguiu pelo passeio, lesto. "Morrer mas devagar"? Viver, devagar apenas uma das opções..
Gostei que me tratasse por tu.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Oito de Agosto.

Ofereci entre pausas a tetralogia napolitana que começa com "A Amiga Genial" de Elena Ferrante à minha mãe. Adivinhei qeu ela ia gostar e assim foi. Não lhe disse logo de início que iam ser quatro livros e que eles se sucediam. E a minha adivinha o era porque nunca li Elena Ferrante. Assim fui-lhe criando uma, duas, três agradáveis surpresas. E porque nunca li Elena Ferrante? Simplesmente porque vende demasiado, o que para um pedaço de asno como eu é um pecado dos mais mortais. Mas... roia-me o bichinho da curiosidade. Para compensar não sei que agravo na sexta-feira passada fui a uma Bertrand satisfazer o vício e estender o braço para que um, dois, três livros entrassem. "Crónicas do Mal de Amor" estava em escaparate - "Que puta de título!", pensei, e voltei a pensar... A autora, Elena Ferrante, claro está, com um prefácio de James Wood, originalmente escrito para o The New Yorker. 

Já comecei a ler. Não adianta escapar, eu e a minha mãe somos leitores-gémeos. Exceptuando o eu ser um pedaço de asno, às vezes. 

sábado, 6 de agosto de 2016

Seis de Agosto.

"(...) mas, para uma pessoa que está fora de si, não há nada de mais detestável do que voltar a si."

Thomas Mann, Morte em Veneza.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Cinco de Agosto.

Uma pessoa minha amiga tira-me um café e confidencia-me: "Já lá dizia a minha avó, o instinto dos homens vê-se pelo álcool, por exemplo o meu só se ri!". Um doente meu pendia-lhe para o álcool e um dia atirou uma foice à esposa. Ele oferecera-me uns meses antes umas castanholas com a cabeça em formato de leão e onde esculpira "S.C.P". Eu quando bebo rio um pouco e depois calo-me; e de ficar calado não paro nem me canso; e apetece-me dormir e esquecer.
 
É, esta minha amiga tem razão sobre o álcool e os homens.